O caso Flow Podcast e a maior lição para empresários: uma empresa não se vende apenas com um SIMPLES contrato

Nádia Dietrich

7/21/2026

Nas últimas semanas, uma disputa entre os fundadores do Flow Podcast dominou as redes sociais e passou a ser debatida muito além do universo do entretenimento. O assunto ganhou espaço entre empresários, advogados, investidores e profissionais especializados em fusões e aquisições (M&A), transformando um conflito societário em um verdadeiro estudo de caso sobre os riscos envolvidos na venda de uma empresa.

Criado em 2018 por Bruno Aiub (Monark) e Igor Coelho (Igor 3K), o Flow Podcast rapidamente se tornou um dos maiores podcasts do Brasil, entrevistando empresários, políticos, artistas e grandes nomes do cenário nacional. O crescimento acelerado transformou o projeto em uma empresa de mídia altamente valiosa, com marcas, ativos digitais, contratos de patrocínio e uma operação empresarial robusta.

Por Felipe.bzra - Obra do próprio, CC BY-SA 4.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=193627287

Em 2022, após a saída de Monark da sociedade em razão da repercussão de declarações feitas durante uma transmissão ao vivo, sua participação societária foi adquirida por Igor 3K. Durante quatro anos, pouco se falou sobre os detalhes da operação. Recentemente, porém, o contrato voltou ao centro das discussões quando ambos passaram a trocar acusações públicas sobre seu cumprimento. Monark afirma que o acordo financeiro não vem sendo executado conforme entende ter sido pactuado. Igor, por sua vez, sustenta que os pagamentos vêm sendo realizados de acordo com aditivos posteriores e que existem obrigações contratuais ainda não cumpridas pelo ex-sócio. A divulgação de trechos do contrato alimentou análises de advogados, economistas e especialistas em M&A em todo o país.

Independentemente de quem tenha razão — algo que cabe exclusivamente às partes envolvidas e, se necessário, ao Poder Judiciário —, a repercussão do caso oferece uma reflexão extremamente importante para qualquer empresário.

A maioria das pessoas enxerga a venda de uma empresa como um momento de celebração. Afinal, ela representa anos de trabalho, investimentos, riscos e dedicação que finalmente serão convertidos em retorno financeiro. No entanto, quem atua profissionalmente com operações societárias sabe que o fechamento de um negócio está longe de ser o fim da negociação. Na verdade, é justamente nesse momento que começa uma nova etapa, na qual cada cláusula contratual passa a produzir efeitos econômicos e jurídicos capazes de impactar o patrimônio das partes por muitos anos.

Existe uma percepção bastante comum entre empresários de que o aspecto mais importante de uma negociação é o preço. Naturalmente, definir quanto vale uma empresa é um dos principais desafios de qualquer operação de M&A. Contudo, na prática, o valor negociado costuma representar apenas uma pequena parte da estrutura de uma transação.

A forma de pagamento, a existência de atualização monetária, os critérios para pagamento de parcelas futuras, as garantias oferecidas, os mecanismos para resolução de conflitos, as responsabilidades assumidas pelos antigos sócios, as cláusulas de não concorrência, a propriedade intelectual, a sucessão contratual e até a governança pós-operação podem influenciar muito mais o resultado final do negócio do que o próprio valor estampado na primeira página do contrato.

É justamente por isso que dois contratos com o mesmo preço podem gerar resultados completamente diferentes para quem vende uma empresa.

Imagine duas operações avaliadas em R$ 20 milhões. Na primeira, o pagamento ocorre integralmente à vista, com garantias robustas e regras claras sobre responsabilidades futuras. Na segunda, o pagamento é parcelado ao longo de muitos anos, condicionado ao desempenho do negócio ou sujeito a interpretações sobre determinadas obrigações. Embora o valor nominal seja idêntico, o risco econômico assumido pelo vendedor é completamente diferente.

Esse é um dos grandes ensinamentos que a repercussão do caso Flow trouxe para o ambiente empresarial: vender uma empresa significa negociar riscos, e não apenas negociar valores.

Outro aspecto que merece atenção é que operações de compra e venda de empresas raramente começam quando surge um comprador. As melhores negociações normalmente são resultado de meses — e muitas vezes anos — de preparação.

Empresas que alcançam maior valorização no mercado costumam investir previamente na organização de sua governança, na qualidade das demonstrações financeiras, na padronização de processos, na redução de passivos, na formalização de contratos estratégicos e na construção de indicadores consistentes de desempenho. Todo esse trabalho reduz incertezas durante a due diligence, transmite maior confiança aos investidores e fortalece significativamente o poder de negociação dos sócios vendedores.

Essa preparação é conhecida internacionalmente como Vendor Readiness, ou preparação para venda, e representa uma das etapas mais importantes de qualquer processo de M&A. O objetivo não é apenas encontrar um comprador, mas apresentar ao mercado uma empresa organizada, previsível e capaz de justificar seu valor.

Nesse contexto, muitas empresas cometem um equívoco recorrente: acreditar que basta contratar um advogado quando a proposta de compra já está sobre a mesa.

A assessoria jurídica é absolutamente indispensável em qualquer operação societária. É ela quem transforma os entendimentos comerciais em instrumentos contratuais seguros, estabelece mecanismos de proteção para as partes, identifica riscos legais e estrutura soluções capazes de evitar conflitos futuros.

Entretanto, tão importante quanto o trabalho jurídico é a atuação da consultoria especializada em M&A.

Enquanto o advogado protege juridicamente a operação, a consultoria trabalha para construir a melhor operação possível sob a perspectiva estratégica e financeira. É ela quem auxilia o empresário a compreender o real valor do negócio, preparar a empresa para uma auditoria, organizar informações financeiras, estruturar indicadores, identificar riscos, apoiar negociações, coordenar a due diligence e buscar alternativas capazes de maximizar o valuation da empresa.

Não se trata de atividades concorrentes, mas complementares.

As operações mais bem-sucedidas são justamente aquelas em que consultores financeiros, especialistas em M&A, contadores e advogados trabalham de forma integrada, cada um atuando dentro de sua área de especialização para reduzir riscos e aumentar a segurança da negociação.

O caso envolvendo o Flow Podcast provavelmente continuará sendo discutido por algum tempo. Novos documentos podem surgir, novas manifestações poderão ser feitas pelas partes e, eventualmente, a própria Justiça poderá ser chamada a analisar determinados aspectos da controvérsia. Independentemente do desfecho, uma lição permanece válida para qualquer empresário.

Uma empresa costuma representar o maior patrimônio construído ao longo de uma vida empreendedora. Sua venda dificilmente será a operação financeira mais importante de quem a construiu. Justamente por isso, ela não deve ser conduzida apenas como uma negociação comercial ou tratada como a simples assinatura de um contrato.

Na Savitri Business Consulting acreditamos que uma venda bem-sucedida começa muito antes da primeira proposta chegar à mesa. Atuamos na preparação estratégica de empresas para operações de fusões e aquisições, auxiliando empresários na organização financeira, estruturação da governança, avaliação empresarial, preparação para due diligence e condução das negociações, sempre em parceria com assessorias jurídicas especializadas.

Porque vender uma empresa não significa apenas encontrar alguém disposto a comprá-la. Significa proteger anos de trabalho, preservar patrimônio e construir uma operação capaz de gerar segurança para todas as partes envolvidas.

A Savitri pode te ajudar a vender a sua empresa!

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